O consumo das famílias brasileiras voltou a ganhar força no início de 2026, mas esse movimento vem acompanhado de um desafio central para supermercados, atacarejos, mercearias e marcas de alimentos: o consumidor está comprando mais, porém segue altamente atento ao preço.
Segundo levantamento divulgado pela Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), o consumo nos lares avançou 6,21% em março em relação a fevereiro e encerrou o primeiro trimestre com alta acumulada de 1,92%. No mesmo período, a cesta AbrasMercado, composta por 35 produtos de largo consumo, subiu 2,20% em março, com pressão em itens como feijão, leite longa vida, ovos, carne bovina, tomate, cebola e batata.
A Qi Mercado, especialista em comportamento de consumo, analisa que esse cenário reforça uma tendência cada vez mais importante no varejo alimentar: a compra de alimentos continua essencial, mas a decisão do consumidor passa a ser guiada por preço, proximidade, conveniência e confiança no ponto de venda.
Alta no consumo não significa compra sem planejamento
O dado nacional da ABRAS mostra um consumidor ainda ativo dentro dos supermercados. Parte desse crescimento está relacionada ao calendário de compras, à proximidade da Páscoa e à entrada de recursos na economia, como benefícios sociais, restituições e pagamentos sazonais.
Mas o avanço do consumo acontece em um ambiente de pressão sobre o orçamento doméstico. A própria ABRAS aponta que a cesta de 35 produtos teve a maior alta mensal do trimestre em março, com impacto relevante sobre alimentos básicos e itens de alta frequência de compra.
Esse detalhe é fundamental para entender o comportamento do consumidor: mesmo quando o volume de compras cresce, a jornada passa a ser mais racional. O consumidor compara preços, observa promoções, reduz desperdícios e tende a valorizar estabelecimentos que entregam boa percepção de economia.
Nordeste sente a pressão dos preços, mesmo com a cesta mais barata
No recorte regional, a ABRAS aponta que o Nordeste registrou a maior variação de preços da cesta de 35 produtos em março, com alta de 2,49%. Apesar disso, a região ainda apresentou o menor custo médio entre as cinco macrorregiões brasileiras.
Esse contraste revela uma leitura importante para empresas que atuam no varejo alimentar nordestino: o preço médio pode ser mais competitivo em relação a outras regiões, mas a sensibilidade do consumidor à variação de preço continua elevada.
Em mercados como São Luís e Maceió, onde grande parte das famílias está concentrada em faixas de renda mais sensíveis, pequenas oscilações em alimentos básicos podem influenciar diretamente a escolha do supermercado, a frequência de compra e a composição da cesta.
O que os dados da Qi Mercado mostram sobre São Luís e Maceió
Nos dados da Qi Mercado em São Luís, o perfil modal da amostra é formado por mulheres, pessoas de 25 a 39 anos, com ensino médio completo e renda familiar entre 1 e 2 salários mínimos. Esse recorte indica um público de consumo de massa, mas com alta elasticidade-preço, ou seja, mais atento ao custo-benefício nas decisões do dia a dia.
Em Maceió, os dados da Qi Mercado mostram de forma direta como o fator preço pesa na escolha do supermercado. Quando questionados sobre o motivo de preferência por determinado supermercado, 76,55% dos entrevistados citaram o preço, seguido por localização, com 60,76%, qualidade dos produtos, com 39,40%, e variedade, com 26,11%.
O comportamento em Maceió também mostra que o consumidor não concentra sua jornada apenas no supermercado. Além dele, 81,21% afirmam comprar com frequência em padarias, 63,55% em açougues, 55,65% em feiras e 51,05% em mercadinhos.
A jornada alimentar ficou mais fragmentada
O consumidor de alimentos não está mais preso a um único canal. Ele monta sua cesta entre supermercado, feira, padaria, açougue, mercadinho e outros formatos de proximidade.
Essa fragmentação revela uma busca por equilíbrio: o supermercado segue como referência de abastecimento, mas os canais complementares ganham importância em categorias específicas, compras rápidas, produtos frescos e conveniência de bairro.
Para o varejo alimentar, isso significa que competir apenas por sortimento já não é suficiente. É preciso combinar preço competitivo, presença local, comunicação clara de ofertas e experiência de compra prática.
Preço é o principal argumento, mas não o único
Embora o preço lidere a decisão, ele não atua sozinho. A localização aparece como segundo fator mais relevante em Maceió, mostrando que conveniência e acesso também influenciam a preferência do consumidor.
Esse dado é especialmente estratégico para supermercados de bairro, atacarejos, redes regionais e pequenos varejistas. Em um cenário de alta nos alimentos, estar perto do consumidor e comunicar bem as ofertas pode ser tão importante quanto ter grandes campanhas promocionais.
Oportunidades para supermercados e marcas de alimentos
O cenário aponta para algumas oportunidades claras no varejo alimentar:
- Comunicação de preço: ofertas precisam ser simples, visíveis e recorrentes.
- Produtos básicos como geradores de fluxo: itens como feijão, leite, ovos, carnes e hortifrúti têm alto poder de atração.
- Valorização da proximidade: lojas de bairro e formatos menores podem ganhar relevância pela conveniência.
- Experiência prática: o consumidor quer economizar tempo e dinheiro na mesma jornada.
- Mix inteligente: variedade continua importante, mas precisa estar alinhada ao poder de compra local.
O varejo alimentar precisa ler o consumidor local
Os dados nacionais ajudam a entender o movimento macro do consumo, mas a decisão de compra acontece no território. Por isso, cruzar indicadores nacionais com pesquisas locais é essencial para identificar como cada mercado reage à inflação, à renda e às mudanças de hábito.
Em São Luís, o perfil de renda reforça a importância do custo-benefício. Em Maceió, a preferência por supermercados baseada em preço e localização mostra que a disputa pelo consumidor acontece tanto no bolso quanto na conveniência.
Para marcas, distribuidores e redes supermercadistas, esse cruzamento é decisivo. Ele ajuda a definir sortimento, posicionamento de preço, mídia, promoções, expansão de lojas e estratégias de relacionamento com o consumidor.
Conclusão: quem entende o bolso do consumidor vende melhor
O crescimento do consumo nos lares brasileiros mostra que o varejo alimentar segue resiliente. No entanto, a alta da cesta básica e dos produtos de largo consumo exige mais inteligência das empresas que atuam nesse mercado.
O consumidor continua comprando, mas está mais seletivo, mais atento ao preço e mais disposto a dividir sua jornada entre diferentes canais. Nesse contexto, vencerá quem conseguir unir preço competitivo, conveniência, proximidade e leitura precisa dos hábitos locais.
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