Durante muito tempo, uma lógica pareceu dominar o varejo alimentar: para conquistar o consumidor, bastava oferecer o menor preço. Em 2026, porém, essa equação está ficando mais complexa.
Uma pesquisa nacional da dunnhumby, divulgada pelo Meio & Mensagem, mostra que preço continua sendo um fator decisivo na escolha dos supermercados, mas já não atua sozinho. Sortimento, experiência de compra, canais digitais e eficiência da operação também influenciam a preferência dos brasileiros.
Os dados da Qi Mercado ajudam a observar esse comportamento sob uma perspectiva regional. Em Maceió, o preço permanece extremamente relevante, mas outros atributos também aparecem na decisão do consumidor. E há outro dado importante: a compra de alimentos acontece em diferentes tipos de estabelecimentos, mostrando uma jornada de consumo mais fragmentada.
Preço continua importante, mas a escolha do supermercado ficou mais complexa
O Ranking de Preferência do Consumidor (RPI) 2026, da dunnhumby, ouviu mais de 10 mil consumidores brasileiros e avaliou 46 varejistas.
Segundo o levantamento, preço, promoções e recompensas representam 35% dos fatores que influenciam a preferência do consumidor. O sortimento vem logo depois, com 28%.
Somados, esses dois fatores representam 63% da decisão. Mas outros atributos também ajudam a explicar por que uma rede é escolhida: experiência digital (15%), operações (14%) e experiência na loja (7%).
O cenário mostra que competir apenas com ofertas pode não ser suficiente. O consumidor também observa se encontra os produtos que procura, se a loja é conveniente, se os preços são consistentes e se a experiência de compra funciona.
Em Maceió, preço e localização formam uma combinação poderosa
Os dados proprietários da Qi Mercado mostram que, em Maceió, o preço ainda exerce uma influência particularmente forte.
Ao serem questionados sobre os motivos pelos quais preferem determinado supermercado, os consumidores apontaram:
- Preço: 76,5%
- Localização: 60%
- Qualidade dos produtos: 39%
- Variedade: 26%
- Atendimento: 11%
Como a pergunta permitia múltiplas respostas, os percentuais revelam justamente algo importante: a preferência não depende necessariamente de um único atributo.
Preço é central, mas estar perto do consumidor também tem enorme peso. Qualidade e variedade completam esse conjunto de fatores.
Na prática, o supermercado competitivo precisa entregar uma combinação de preço, conveniência, qualidade e sortimento.
A compra de alimentos não acontece somente no supermercado
Outro resultado da Qi Mercado amplia essa discussão.
Quando os consumidores de Maceió foram perguntados sobre outros lugares onde fazem compras com frequência além dos supermercados, 81% citaram padarias, 63,5% açougues, 55% feiras e 51% mercadinhos.
Isso mostra que o supermercado disputa o orçamento alimentar com uma rede diversificada de estabelecimentos.
Uma mesma família pode realizar a compra maior em uma rede supermercadista, buscar carnes em um açougue, produtos frescos na feira, itens para consumo imediato na padaria e recorrer ao mercadinho do bairro pela conveniência.
O consumidor distribui sua cesta
Esse comportamento é estratégico para quem atua no varejo alimentar.
A concorrência de um supermercado não está necessariamente apenas no supermercado localizado do outro lado da avenida. Ela também pode estar no açougue, na feira, na padaria e no pequeno comércio próximo da residência do consumidor.
Isso ajuda a explicar por que localização, variedade e qualidade aparecem ao lado do preço entre os fatores relevantes para a escolha.
O digital adiciona uma nova camada à jornada de compra
A pesquisa nacional da dunnhumby também aponta o avanço dos canais digitais na relação com o varejo alimentar. O fator digital responde por 15% da preferência analisada pelo estudo.
Aplicativos de compra e delivery ampliam as possibilidades de comparação e tornam a jornada menos dependente de uma única loja física.
O consumidor pode pesquisar ofertas, comparar alternativas, comprar presencialmente determinados itens e utilizar canais digitais para outros.
Para os supermercados, isso significa que a disputa pela preferência começa antes da entrada na loja. Presença digital, facilidade, comunicação de ofertas e conveniência passam a integrar a percepção de valor.
São Luís reforça a importância de entender o consumidor local
Na base de São Luís da Qi Mercado, não há uma pergunta equivalente à realizada em Maceió sobre os motivos específicos para escolha do supermercado. Por isso, não é metodologicamente correto atribuir ao consumidor ludovicense os mesmos percentuais encontrados na capital alagoana.
Essa diferença, porém, reforça uma questão importante para empresas que atuam em diferentes mercados: comportamento nacional não deve ser automaticamente tratado como comportamento local.
Uma tendência identificada em uma pesquisa brasileira pode ganhar intensidades diferentes quando observada em cada cidade, faixa de renda, geração ou perfil de consumidor.
É justamente nesse ponto que pesquisas regionais ganham valor estratégico: elas permitem sair da tendência geral e entender como o mercado efetivamente se comporta em cada praça.
O que os dados dizem para supermercados e marcas de alimentos?
Os resultados apontam para um varejo alimentar no qual competir apenas por preço tende a ser uma estratégia limitada.
Preço continua essencial — e os números de Maceió deixam isso evidente. Mas conveniência, localização, qualidade, variedade, disponibilidade de produtos e experiência também participam da decisão.
Para supermercados, atacarejos, indústrias de alimentos e marcas presentes nas gôndolas, entender essa combinação pode ajudar a definir melhor promoções, sortimento, expansão de lojas, comunicação e posicionamento.
Também é necessário observar a jornada completa. Se parte do orçamento do consumidor migra entre supermercado, feira, açougue, padaria e mercadinho, conhecer apenas o desempenho de um canal oferece uma visão incompleta do mercado.
Conhecer o consumidor é tão importante quanto disputar preço
O varejo alimentar brasileiro continua altamente sensível a preço, mas a preferência do consumidor está sendo construída por um conjunto cada vez maior de fatores.
Os dados nacionais mostram o crescimento da importância do sortimento, do digital e da experiência. Já os dados da Qi Mercado em Maceió revelam a força local do preço e da localização, além de uma jornada de compra distribuída entre diferentes estabelecimentos.
Para empresas, a principal conclusão é clara: não basta saber quanto o consumidor quer pagar. É preciso entender onde compra, por que escolhe determinado estabelecimento e quais atributos realmente geram preferência.
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