Enquanto a Abramat projeta um modesto crescimento de 0,5% para a construção civil nacional em 2026, com sinais mistos no faturamento deflacionado de materiais, a perspectiva local em cidades como São Luís e Maceió mostra um impulso no lado do consumidor. Dados da Qi Mercado revelam que, em São Luís, 19% da população planeja construir ou reformar nos próximos 12 meses, enquanto, em Maceió, essa intenção sobe para 20%. Esses números locais, baseados no comportamento real dos consumidores, sugerem uma demanda reprimida ou um otimismo persistente, mesmo diante da estabilidade e da queda no faturamento deflacionado do mercado de materiais de construção registradas nacionalmente até julho.
Cenário combina estabilidade pontual e recuo no acumulado
De acordo com a matéria, o faturamento deflacionado do setor em julho de 2026 permaneceu estável em relação ao mesmo mês de 2025. No acumulado de janeiro a julho, porém, houve retração de 3% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
O desempenho também foi negativo entre as categorias do setor: os materiais básicos recuaram 2%, enquanto os materiais de acabamento caíram 3% no período acumulado.
Projeção segue positiva, mas com recuperação gradual
Apesar da fraqueza apresentada no resultado acumulado, a Abramat manteve a projeção de crescimento de 0,5% para 2026. A entidade espera uma retomada gradual no segundo semestre, indicando um cenário de leve expansão, ainda pressionado por uma demanda considerada fraca.
A leitura da associação é de que o mercado nacional da construção segue em ritmo moderado, sem sinais de uma aceleração forte no curto prazo. Dessa forma, o desempenho do segundo semestre será decisivo para confirmar a expectativa de alta de 0,5% e permitir que o setor encerre o ano no campo positivo.
O que isso indica para o setor
Os dados mostram que a atividade ainda não conseguiu transformar a estabilidade mensal em uma reversão consistente da tendência anual. Ao mesmo tempo, a pesquisa local da Qi Mercado adiciona uma camada de otimismo ao cenário nacional, ao revelar que uma parcela significativa dos consumidores de São Luís e Maceió pretende construir ou reformar nos próximos 12 meses.
Além disso, a preferência esmagadora pela compra presencial de materiais, de cerca de 99% em ambas as cidades, ressalta a importância das lojas físicas e de fatores como preço, apontado por 62% dos consumidores em São Luís, e localização, citada por 53%, como elementos decisivos na escolha.
Assim, enquanto o cenário nacional aponta para uma recuperação lenta e um crescimento limitado, os dados locais indicam um potencial de demanda que pode representar uma oportunidade para o setor. Transformar essa intenção de consumo em compras efetivas será um dos desafios, e também uma das possibilidades, para o segundo semestre de 2026.
